quinta-feira, 8 de maio de 2008

“At na mas matanda”

Numa caixinha de botões em que guardo minhas saudades
Achei um botãozinho de cor translúcida
Parecia um daqueles desfigurados vendidos em Santarém
Que servem pra enfeitar a lapela,
Mas logo vi, não era botão, mas um choro que se cristalizou num gérmen
Um amor platônico que ficou assim, videlicet
Que me fazia sonhar a cada sinal dos badalos, ah!
Até eu acordar de susto e trocar os desejados beijos por alguma fórmula mágica...

Transitei pelo ventre desse sonho que me fez chorar
E que só existe ainda porque nunca virou realidade,
Pois os sonhos que descem a este mundo esmigalhado
Nunca duram mais do que o tempo
Necessário para que possamos engoli-los avidamente,
E Encontrarmos novos sonhos na madrugada seguinte.

Só posso dizer que não há como lamentar
Amo-te ó inércia capitular que me rema lentamente como um charrua
Há o que mais se possa pedir desse bom viver?
Mais e mais devaneios
De cores vibrantes, reais como minha própria loucura que os embala
Dez ou cem, quem se importará lá nos confins do meu calvário?
Anos embebidos de quimeras e utopias não deixarão, enfim, de contar no calendário dos pagãos sem poesia...

Jaisson
Maio 2008.

Um comentário:

Elisete disse...

Oi! Td bem contigo, meu amigo?
Adorei este poema! Pretendo ler todos, degustando aos poucos como bom vinho. Não prive o mundo de tuas idéias férteis e cheias de sensibilidade; compartilhe conosco!Vc é um cara esperto e inteligente.
Continue neste caminho de sucesso! Um abração!!!