quarta-feira, 23 de abril de 2008

Fermata

Era uma vez um pontinho
Redondo que ele só
Um polilátero
Que vivia a lua a observar
Desarrumado, sentado nas pedrinhas de estrutura cristalina
Cantando umas cantigas de feira
Inventando umas modinhas
Pra animar seu flerte com aquela bela
Redonda e clara, toda cheia e sem moral...

Um belo dia sua amada inóspita
Resolveu virar sua face tão esférica
E minguou,
Virou uma grande canoa navegando parada no céu
E aproveitou para viver
E dar aos contrapontos do mundo a chance de parar
Para seguirem com seus próprios tormentos.

O pontinho, desiludido, vagou
Embalou-se dos acordes do próprio amargor,
Revirou-se de amor e decidiu que não podia mais esperar.
Abriu sua alma para a amada minguante
E com dez compassos de um chorinho balanceado,
Arrancou suspiros da maldita,
Ela caiu em seus braços e esparramou-se como um carinho de vó,
E dormiu sabendo-se verdadeiramente amada.

Ali todas as regras se revolveram num prólogo ingênuo,
As pautas se remexeram tensas, nada mais do (seu) tempo sabiam
A melodia ficaria pra sempre livre e inquestionável,
Ao sabor de ouvidos apaixonados
Que talvez nunca mais resolvessem tomar de volta,
O resto da canção que os tornou um só.


J.
Abril de 2008.

Um comentário:

Daiane Deponti Bolzan disse...

Nem preciso dizer que estou adorando o teu blog...

Continue!!!

Beijo