quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Os poetas e a vida vazia

Poetas também comem
Mas ao absorverem cada um dos sabores
Metabolizam o risco de cada gosto
Para temperar a eucaristia santa
De cada estrofe.

Poetas também admiram o belo
Mas a beleza que vêem
É aquela que torna a vida irrequieta
Entre o brilho proibido do infinito
E o sopro quente que sustenta uma vida.

Poetas também fazem sexo
Mas dissipam em tramas absurdas
Toda a incapacidade de entender
A destemperança natural
Diluída no soluço intermitente do gozo.

Poetas também morrem
Mas como todos, não gostam de morrer
Eles sabem que a morte é o fim do sentir
Não poder nem ao menos sofrer ou doer
E não sentir, para o poeta
É ver a poesia andante encontrar a única eternidade que nos é permitida:
O não mais.


Jaisson
Fev. 2008

2 comentários:

Daiane Deponti Bolzan disse...

Como te disse... O fim pode ser apenas o começo... e, não se sabe ao certo se existe mesmo um fim...
Já o vazio, este sim existe e existe dentro de mim...
Beijo

blogger disse...

adorei